Caminho de ferro entre Lourenço Marques e Pretória - Eng. J.J. Machado, Rio Incomáti, mais dirigentes.

Voltando à segunda foto da mensagem anterior com o grupo de ilustres visitantes às obras da nova linha de caminho de ferro vinda de Lourenço Marques (LM) em 1887. Faço-lhe um zoom do centro:

FOTO 1
Grupo de personalidades junto ao Rio Incomáti

Como dissemos antes Alfredo Pereira de Lima na obra História do Caminho de Ferro referindo-se a esta foto mas tratando-se sem dúvida da mesma pessoa diz que provávelmente o Coronel McMurdo seria o cavalheiro de gabardine comprida (de chapéu colonial ao centro esquerda). 
Para além de Mac Murdo deviam estar aí mais ingleses da companhia concessionária mas é provável que representantes do Estado Português, o concessionador do projecto, estivessem presentes. Com posição equiparável ao do concessionário McMurdo seriam a nível político o Governador-Geral Augusto de Castilho e a nível técnico o Eng. (depois General) Joaquim José Machado (1847-1925), que era na altura o director das Obras Públicas (mais tarde foi Governador-Geral de Moçambique e em três períodos distintos) e o Eng. (Major) António José Araújo que era o fiscal principal dos trabalhos. O Eng. futuro General Machado era alto e parece que usou durante a maior parte da vida grandes bigodes como se pode ver:

FOTOS 2
Engenheiro/General Joaquim José Machado
 (a foto ao centro foi publicada em 1914 mas deve ser anterior)

Na FOTO 1 perto do suposto Coronel McMurdo e com o resto dos membros do grupo a uma respeitável distância, temos ao centro um senhor alto com chapéu. Não se conseguem ver os pormenores mas sparece ter bigodes e a postura parece compatível com as da FOTO 2 do Eng. Machado em pé. Na foto mais à direita das FOTOS 2 foto ele estaria com cerca de 67 anos, na FOTO 1 teria cerca de 40 anos. Descontando a diferença de idades, seria ele na FOTO 1?
No youtube vê-se que o General Machado foi recentemente relembrado em Lisboa com um busto que originalmente esteve em Moçambique. Isso num mundo racional seria caricato pois ele foi mais decisivo para Moçambique actual do que para Portugal actual. No campo técnico foi crucial para a linha de caminho de ferro que viabilizou Lourenço Marques, actual Maputo, tinha chefiado a expedição das Obras Públicas que 20 anos antes tinha preparado o pequeno burgo para ser capital de Moçambique e para crescer ordenadamente, etc, mas ...
Quanto ao Major Araújo parece que não há fotos na Internet pelo que não se pode dizer se estaria e/ou quem seria na FOTO 1. Sobre a sua vida também não encontro mais nada para além se ser membro da expedição e autor do conhecido plano da cidade. 
No álbum da inauguração da linha há mais fotos junto ao Rio Incomáti provávelmente tiradas na mesma ocasião da FOTO 1. Esta é interessante:

FOTO 3
Rio Incomáti em Moçambique visto da margem sul cerca de 1887

No horizonte deve-se ver a linha de cumeada dos montes Limbombos por onde foi definida a fronteira entre Portugal (Moçambique) e a África do Sul e onde no vale do Incomáti do lado de Moçambique nasceu a vila de Ressano Garcia. Não se consegue ver se o vale do rio ficaria (o chamado Incomati pass) numa brecha entre os montes (nota-se haver uns mais próximos e outros mais distantes) ou numa passagem mais nítida que estivesse mais para a esquerda da foto. Mas a distância do ponto donde se tirou a foto aos montes, mais curva, menos curva e acompanhando a margem do rio, deve corresponder aproximadamente aos (7-)8-9 km de linha que faltaram fazer como se tem falado. Tendo a foto sido tirada para imortalizar a chegada da linha ao rio e a proximidade da fronteira, acho deprimente que estes protagonistas estrangeiros, tendo estado tão perto do objectivo não tenham sido capazes de o atingir conduzindo a sua empresa ao fracasso. 
Na FOTO 3 vê-se rocha lascada da margem mas não se sabe se resulta da escavação para o traçado ou se é de trabalhos preliminares. Também não se consegue saber se a foto foi tirada de cima duma locomotiva ou não, mas os dois senhores que se vêm de costas parecem estar bastante fundo. 
Outra foto de Fowler com o que parecem ser dirigentes de visita aos trabalhos penso que na Ribeira da Matolla (Matola):

FOTO 4
Talvez  visitantes e técnicos da construção junto a uma ponte metálica 
vendo-se muito material armazenado no vale à esquerda

Na foto de cima a maioria devem também ser ingleses mas seria natural que houvesse representantes das autoridades portuguesas durante as visitas dos responsáveis do concessionário, para além da presença permanente de fiscais. Como disse, provávelmente estarão nestas fotos alguns nomes conhecidos dos pioneiros de engenharia/militares portugueses em Moçambique mas como a maioria delas não têm legendas não se consegue esclarecer.

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