A FOTO 1 é imagem de E. Peters e por isso de cerca de 1905 e que é curiosa principalmente pela legenda que é Mercado de Trabalho.
Estavamos fora da zona coberta (hangar) do mercado Vasco da Gama de Lourenço Marques (LM), actual Central de Maputo na sua traseira e precisamente na via interna de acesso ao portão para o lado da Av. Paiva Manso, actual Magaia. Esta estava para lá das árvores que se vê ao fundo e da vedação do mercado (portão e muro com grade) até lá eram ainda 60 metros de distância. Esse espaço de início era um terreiro, depois foi ajardinado como se vê em baixo na FOTO 6 dos anos 30 e mais tarde passou a ser parque de estacionamento automóvel (ver aqui o local agora muito alterado).
Estavamos fora da zona coberta (hangar) do mercado Vasco da Gama de Lourenço Marques (LM), actual Central de Maputo na sua traseira e precisamente na via interna de acesso ao portão para o lado da Av. Paiva Manso, actual Magaia. Esta estava para lá das árvores que se vê ao fundo e da vedação do mercado (portão e muro com grade) até lá eram ainda 60 metros de distância. Esse espaço de início era um terreiro, depois foi ajardinado como se vê em baixo na FOTO 6 dos anos 30 e mais tarde passou a ser parque de estacionamento automóvel (ver aqui o local agora muito alterado).
FOTO 1
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| Mercado de Trabalho na traseira do Mercado Vasco da Gama vendo-se ao fundo o seu portão do lado oeste = poente |
A legenda "Labour Market" dá ideia que aqui se concentravam trabalhadores à jorna esperando que os patrões os viessem recrutar ao princípio do dia (situação ainda corrente aqui nos Estados Unidos, "day laborers"). Mas na entrevista do moçambicano M.M. Vicente no boletim do Arquivo Histórico de Moçambique n. 2 de Outubro de 1987 ele dizia o seguinte sobre a sua experiência de chegada à cidade no início de 1937, isto é uns 3o anos depois da FOTO 1: "quando uma pessoa vinha para aqui à procura de trabalho, ia procurar trabalho ali no Mercado ...Central. As pessoas iam lá. Ficavam ali e vinham as senhoras para escolher um dos rapazes que estavam ali. Depois, quando fui ao Mercado Central, fui ali ter com outros rapazes. Havia lá muitos. Veio uma senhora, D. Mariana, uma senhora que tinha uma Pensão ali na 24 de Julho. .... Quando acabou o mês ... a senhora pagou-me 100$00 ...". Presumindo que uns 30 anos antes o processo era o mesmo, esse mercado de trabalho da FOTO 1 não era (só) para "day laborers" e por isso o inconveniente dos recrutadores terem de entrar dentro das instalações em vez de negociarem na rua era limitado. Mas porque seria essa actividade exercida dentro dos portões e não fora? Algum controle? Sei não!
O portão virado a oeste = poente = actual Av. Magaia que se via na FOTO 1 para o fundo e que é aí o único à vista aparece à esquerda na FOTO 2 de cerca de 1910 e que foi tirada para noroeste mostrando a mesma zona descoberta na traseira do mercado mas a partir de local recuado de uns 30 metros. Ai vê-se a esquina a noroeste no muro da traseira do mercado, por acaso na direcção dum dos seus kiosks. À direita dessa esquina está o muro virado para a Av. Álvares Cabral, actual Manganhela também a certa distância e com um fiada de árvores no passeio.
FOTO 2
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| à esquerda, ao fundo: o mesmo portão que se v'e ao fundo da FOTO 1 à direita: o portão a norte nas traseiras, os dois encimados por candeeiros de "pé alto" |
Passamos para a FOTO 3 presumívelmente na mesma altura da FOTO 1 mas sob o hangar (coberto) do Mercado que ficava para a esquerda do campo da objectiva das FOTOS 1 e 2. Note-se aí a grande percentagem de clientes ou mirones não europeus, sem grande diferença em relação ao que acontecia no mercado exterior das FOTOS 1 e 2, o qual era expressamente desenhado para comércio do tipo africano tradicional.
Mas o que nos "ocupará o espírito" daqui para a frente será como este hangar coberto foi fechado do lado poente = oeste (também se vê o portão da FOTO 1 à direita desta FOTO 3).
Mas o que nos "ocupará o espírito" daqui para a frente será como este hangar coberto foi fechado do lado poente = oeste (também se vê o portão da FOTO 1 à direita desta FOTO 3).
FOTO 3
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| Na parte coberta do mercado e na tradicional zona do peixe com o lado poente = oeste ao fundo |
O lado do edifício do hangar a poente tinha cinco secções entre colunas. Devia ter sido preparado para ser compartimentado no futuro, mas nessa altura parecia-me oferecer passagem aberta do interior para o exterior, o que acho se vê ainda melhor na primeira foto deste artigo ou na FOTO 4 deste que me parece foram quase simultâneas.
Vê-se na FOTO 4 seguinte a parede exterior do lado que estava ao fundo na FOTO 3 e que é a mesma desde a origem do mercado como se via aqui nas FOTOS 1, 2 e 3 para a esquerda da esquina a SW. Esta FOTO 4 é anterior à reabilitação recente do mercado e mostra então a fachada a poente = oeste do edifício.
FOTO 4
Fachada do edifício do mercado do lado poente = oeste =Av. Magaia
fechada com paredes e/ou portas e /ou janelas
Noto que sobre a FOTO 3 falámos de cinco secções de passagem entre o interior e o exterior e são as que vemos do lado esquerdo na FOTO 4. Há aí uma sexta secção à direita mas ela faz parte do bloco da fachada principal e que é o que faz a esquina e por isso não se podia ver à esquerda da FOTO 3.
Pode-se observar do lado esquerdo da FOTO 4 que este lado a oeste do edifício começa ao fim da cobertura do hangar e que entre a parede interior e a exterior a largura é de uns 10 metros. O texto do HPIP (Dr. António Sopa) diz que posteriormente à inauguração do mercado as únicas "obras realizadas .. envolveram a construção de uma segunda fachada, virada para a Avenida Marx". Essa fachada é a nascente, a oposta à das FOTO 3 e 4.
Mas se houve obras desse lado a nascente, é possivel que também tivessem acontecido do lado poente, o lado que se vê ao fundo da FOTO 3 e à frente na FOTO 4. Essa construção posterior poderia explicar o porquê de na FOTO 3 parecer haver ao fundo uma parede única, só depois teria passado a haver duas paralelas nos lados a nascente e a poente e que permitiram compartimentar os espaço para lojas. Essa dúvida sobre se este lado teria tido de origem duas paredes, a exterior que sabemos que tinha e a interior que veio a ter depois mas não sabemos se é de origem deveria poder ser esclarecida olhando para o desenho do que foi inicialmente construído mas ...
A FOTO 5 é da mesma altura da FOTO 4, também anterior à reabilitação. Como é do mesmo Talho Ferreiras, em princípio seria do mesmo espaço mas nota-se que as vidraças na zona arqueada do topo eram diferentes das da FOTO 4. Na FOTO 4 essas vidraças tinham aberturas e peças com desenho radial e em arco em vez de serem rectangulares como nesta FOTO 5.
FOTO 5
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| Vidraça na zona arqueada da parede com janela central "rectangular", diferente das vidraças exteriores vistas na FOTO 4 |
Conclui-se a partir destas vidraças que as as FOTOS 4 e 5 são de paredes diferentes dum dos lados do edifício do mercado e como a FOTO 4 é da parede exterior a poente imagino que a FOTO 5 seja da parede interior correspondente, quer dizer que o Talho Ferreiras ocupasse parte do corpo lateral a poente do edifício da sua parede interior a leste à exterior a oeste.
No entanto na parede ao fundo = a poente da FOTO 3 as vidraças interiores pareciam estar divididas em três partes ao alto, estando até algumas delas abertas como na FOTO 5 e o mesmo acontece aqui na FOTO 4. mostrando que o lado a poente do edifício tinha uma só parede, a exterior. Por isso se essa parede era a exterior e se a da FOTO 5 é a interior há alguma coisa que não joga. Para mais fotos recentes do mercado pós remodelação (ver a última aqui) mostram vidraças interiores do mesmo tipo radial das exteriores da FOTO 4 pelo que fico sem certeza de onde será a FOTO 5. A presumível alteração das vidraças interiores pode ter sido feita na remodelação recente mas ...
Quanto às vidraças exteriores podemos ver que em 1939 elas tinham já o desenho radial que se vê na FOTO 4 de 2007.
FOTO 6
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| à esquerda: fachada a poente, dividida em cinco secções iguais mais uma na esquina à direita à direita da esquina a sudoeste do mercado: fachada principal na sombra |
No entanto pode também ver-se aqui nas FOTOS 1 e 2 que inicialmente essas cinco secções da fachada a poente=oeste tinham sido fechadas por cortinas de correr imediatamente para baixo da sua parte superior em arco. Isso significa que ao tempo da FOTO 6, nos anos 30, essas cortinas tinham sido substituidas pelas estruturas com janelas e portas que se vê aí e que parcialmente se mantinham na FOTO 4. Parcialmente porque parte dessas secções tinham sido completamente emparedadas, a segunda e a quarta na parte inferior e a terceira secção ou central completamente. Podemos também ver aqui que em 1963/64 essas secções elas já estavam como apareciam na FOTO 4.
"Todos" os artigos no HoM sobre o mercado ou Bazar Vasco da Gama são agora consultáveis a partir daqui.






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