Enseada e aterro da Maxaquene - evolução da doca para barcos de pesca- a (13/16)

Continuando a série de artigos sobre o aterro da enseada da Maxaquene (este por exemplo) executado de 1915 a 1920 veremos o que lhe ficava para nascente = leste = jusante no estuário do Espírito Santo, actualmente chamado de Maputo e próximo da sua junção com a baía.  
Utiliso primeiro fotos (slides) de 1961 de Harrison Forman reproduzidas do site da Universidade de Wisconsin Milwaukee e que fazem parte do arquivo da American Geographical Society Library. Mostram aí uma doca que era usada por pescadores profissionais e se chamava "Doca para Barcos de Pesca" (aqui DBP, actual Marina de Maputo).
Estas fotos são da mesma altura da que tinha mostrado aqui e que tinha sido tirada do extremo a leste da DBP e do lado do estuário por isso dando vista muito mais limitada do interior da DBP. 

FOTO 1 - pormenor
Barcos de pesca profissionais na DBP em 1961 
com a muralha de protecção exterior em betão armado ao fundo

FOTO 1 - completa
Imagem de cima da "Doca para Barcos de Pesca" completa

FOTO 2
Imagem quase simultânea à de cima mas tirada mais próxima da água

Vamos saltar de 1961 para a origem da DBP que como veremos está associado aos trabalhos do aterro da Maxaquene realizados de 1915 a 1920. A FOTO 3 (parte duma já conhecida) é original da ARPAC (no facebook), faz parte da pasta “Maputo Cidade XI, Monumentos e Locais Históricos” e mostra os trabalhos adiantados do aterro vistos a partir do alto da barreira para o lado oriental da antiga enseada da Maxaquene. Como podemos ver esses trabalhos englobavam também a construção da DBP e já tinhamos referido brevemente aqui essa ligação.

FOTO 3 - clique para aumentar
Linhas preto e branco: muralha de protecção exterior da DBP
Linhas preta: muro de suporte do aterro da Maxaquene (ver actualmente)
Azul claro (horizontal): DBP em formação, parecem faltar os muros interiores 
junto à praia pré-existente 
Mancha laranja: costa e praia original, indicativo
Mancha verde: aterro que restou das Obras do Porto de entre 1897 e 1899, indicativo
Mancha rosa: aterro feito em 1915//20

Na FOTO 3 consegue-se distinguir a muralha de protecção exterior da DBP que é mais elevada que 
o muro de suporte do aterro que seguia do ponto de entrada na DBP para a doca da capitania à direita. Os muros da DBP do lado interior pareciam não estar ainda feitos mas a prioridade teria sido o muro de protecção exterior pois essa área estava sujeita a ondas fortes chegando da baía próxima. 
Nas FOTOS 1 e 2 de 1961 em cima vê-se ao fundo essa muralha de protecção exterior da doca em betão armado que fica face ao estuário e pode-se confirmar que o tipo de construção é genéricamente o mesmo que o do muro suporte do aterro feito em 1917/19 (vê-lo aqui nas FOTOS 1 e 2). Olhando para as colunas salientes em betão armado salientes de 1961 e actuais das FOTOS 4 e 5 penso que a muralha actual da doca é ainda a original mas provávelmente a sua camada superfícial tem sido retocada de tempos em tempos pois já em 1961 se via que estava degradada.
Passamos então a tempos recentes da mesma doca com a muralha de protecção exterior ao fundo:


FOTO 4 (alamy)
à esquerda e em frente: muro de suporte de aterro do lado leste da DBP, agora Marina 
à direita: face interior da muralha de protecção exterior da doca do lado do estuário 
aqui vista do centro para a esquina afastada da entrada

Agora foto da DBP vendo-se a mesma face da muralha que nas FOTOS 1, 2 e 4 à direita mas mais para o seu lado poente = oeste, o da entrada da doca.

FOTO 5
Vista da doca, face interna da muralha de protecção exterior com a entrada à direita = oeste, depois o estuário a juntar-se à baía e a sua margem da Catembe ao fundo

Esta é então a situação actual da antiga DBP, depois do CPD e agora da Marina / Escola de Ciências Náuticas em Maputo, antiga Lourenço Marques: 

Continuamos o tema dos planos para o aterro no próximo artigo.
Vários artigos relacionados com o CPD aqui.

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