Completaremos o artigo anterior começando com mais uma foto da "Doca para Barcos de Pesca" (aqui DBP) de Harrison Forman e reproduzida do site da Universidade de Wisconsin Milwaukee onde estão disponíveis os originais com muito mais pixels do que normalmente publico aqui.
Vê-se de novo em 1961 o interior da DBP e ao fundo a face interior da sua muralha de protecção exterior. A doca estava ainda a ser usada por pescadores profissionais como inicialmente tendo depois sido transformada em doca para o Clube de Pesca Desportiva (CPD) de que falámos específicamente aqui e depois aqui.
Vê-se de novo em 1961 o interior da DBP e ao fundo a face interior da sua muralha de protecção exterior. A doca estava ainda a ser usada por pescadores profissionais como inicialmente tendo depois sido transformada em doca para o Clube de Pesca Desportiva (CPD) de que falámos específicamente aqui e depois aqui.
FOTO 1
Imagem recuada da DBP em vista para sudeste
vendo-se ao fundo a zona central da muralha de protecção exterior
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Podemos tentar ver com mais detalhe a evolução da zona com as plantas da cidade, aparecendo a DBP ao centro e para a sua esquerda = oeste o muro de suporte do aterro da Maxaquene fechando para o lado do estuário a antiga enseada.
PLANTAS de 1925 a 1950 (clique para ver no tamanho original)
Preto contínuo: muro de suporte do aterro da enseada da Maxaquene, incluindo
a parte que faz ângulo recto com o estuário e fica virada para a doca (ver actualmente)
Púrpura e carmesim: muro de suporte original dos lados interior = norte e leste da DBP
Preto e branco: muralha de protecção exterior da doca
Triângulo amarelo e depois castanho claro: parece ter sido alteração posterior
Seta azul: entrada (ou saída) na (ou da) DBP
para embarcações vindas do (ou saíndo para o) estuário
Mancha laranja: costa e praia original nessa zona, indicativo Mancha verde: aterro que deve ter restado das Obras do Porto, indicativo Mancha rosa: aterro feito em 1915//20 |
Penso que desde a construção da DBP cerca de 1917//19 e cuja situação está mostrada na planta de 1925 até à planta de 1940/50 não houve alterações na sua muralha de protecção exterior (o facto de aparecer em curva ou em recta resultará de diferente precisão nos desenhos). Quanto ao interior da doca olhando para o mapa de 1940 parece que no seu canto a noroeste se teria acumulado areia, o que deu depois origem à construção do triângulo castanho aumentando a superfície para construções e reduzindo a aquática.
Noto também que nas fotos posteriores da doca do CPD (ou actual marina) é normal ela aparecer com mais água do que se via na FOTO 1 pelo que é possível que depois de 1961 a doca tenha sido dragada significativamente e depois mantida como tal.
Apesar do desenho não ter esse detalhe, parece-me que originalmente o muro de suporte do lado leste da DBP = direita nestas plantas não era completo e teria ai sido deixado um acesso entre a estrada marginal e a doca. Penso que é esse caminho onde havia ainda areia da praia original que explica o facto de na FOTO 1 parecer haver uma praia a certa distância da água. Noto que noutra foto de 1961 .tirada em posição diferente se via a mesma zona arenosa e ensolarada nesse momento.
Na FOTO 3 do artigo inicial sobre o CPD vê-se uma rampa à esquerda junto à estrada marginal que deve ter substituido esse antigo acesso arenoso e completando-se o muro de suporte desse lado norte. Vê-se também nessa foto ao fundo à direita e ao lado da muralha do estuário (no vértice a oriente da doca) outra rampa que aparecia nas plantas a partir da de 1940. Via-se ainda outra rampa à esquerda para acesso directo dos depósitos dos barcos à água mas deve ter sido construção posterior.
Se compararmos a planta de 1940/50 com a FOTO 2 de Google Earth parece não ter havido grandes alterações nos muros/muralha interiores e exteriores da DBP desde cerca de 1940/50 até agora (as fotos de Harrison Forman estão dentro desse período).Noto também que nas fotos posteriores da doca do CPD (ou actual marina) é normal ela aparecer com mais água do que se via na FOTO 1 pelo que é possível que depois de 1961 a doca tenha sido dragada significativamente e depois mantida como tal.
Apesar do desenho não ter esse detalhe, parece-me que originalmente o muro de suporte do lado leste da DBP = direita nestas plantas não era completo e teria ai sido deixado um acesso entre a estrada marginal e a doca. Penso que é esse caminho onde havia ainda areia da praia original que explica o facto de na FOTO 1 parecer haver uma praia a certa distância da água. Noto que noutra foto de 1961 .tirada em posição diferente se via a mesma zona arenosa e ensolarada nesse momento.
Na FOTO 3 do artigo inicial sobre o CPD vê-se uma rampa à esquerda junto à estrada marginal que deve ter substituido esse antigo acesso arenoso e completando-se o muro de suporte desse lado norte. Vê-se também nessa foto ao fundo à direita e ao lado da muralha do estuário (no vértice a oriente da doca) outra rampa que aparecia nas plantas a partir da de 1940. Via-se ainda outra rampa à esquerda para acesso directo dos depósitos dos barcos à água mas deve ter sido construção posterior.
FOTO 2
A FOTO 2 permite medir como tendo 300 metros o muro de protecção exterior da DBP o que explica porque nas fotos antigas parecia longo.
Para o aterro da enseada da Maxaquene, para a direita = oeste desta doca e como mostrei aqui nas primeiras fotos, penso que foram construídos dois muros paralelos mas não sei a distância entre eles pois o do interior ficou aterrado. Como a muralha de protecção exterior da DBP é limitada por dois muros (o interior para a doca e o exterior para o estuário) e eles estão separados de cerca de 5 metros, poderá ser essa também a separação no muro de suporte do aterro da enseada da Maxaquene
Perscrutando o futuro eram estes são os planos grandiosos de um gabinete de arquitectura para a renovação desta estrutura da cidade que já tem mais de 100 anos.
FOTO 3
Planos para a antiga doca: DSA-Maputo Waterfront Concept-03 |
Mas no mundo real, há uns tempos o muro de suporte do fundo da doca marcado com traço laranja na imagem do Google Earth tinha desabado por notória falta de conservação como se vê na FOTO 4. Entretanto alguma solução deve ter sido encontrada tendo-se consolidado o aterro e evitado consequências graves para a estrada marginal que lhe fica à direita:
FOTO 4
Foto tirada perto do vértice mais a oriente = leste da doca e de onde onde está a rampa de cimento |
A ligação entre o estuário e a doca ficaria para o fundo à esquerda da FOTO 4 e vê-se estrada marginal e a barreira na Ponta Vermelha à direita.
Na FOTO 5 vemos no sentido oposto ao da FOTO 4 a antiga Doca para Barcos de Pesca (aqui DBP) quase na totalidade exceptuando a parte de ligação ao estuário. Aparece ao fundo a base do promontório da Ponta Vermelha e do lado direito vê-se a baía "sobre" a muralha de protecção exterior.
Na FOTO 5 vemos no sentido oposto ao da FOTO 4 a antiga Doca para Barcos de Pesca (aqui DBP) quase na totalidade exceptuando a parte de ligação ao estuário. Aparece ao fundo a base do promontório da Ponta Vermelha e do lado direito vê-se a baía "sobre" a muralha de protecção exterior.
FOTO 5
Quanto às marcas nos mapas e na FOTO 2 à esquerda = oeste da doca estão relacionadas com as Obras do Porto de 1887//89 e com as do aterro da Maxaquene de 1915//20 e o seu significado será o seguinte:
a. o terreno que foi marcado com a mancha laranja clara era o original na base da barreira;
b. o terreno que foi marcado com a mancha verde clara deve ter sido aterrado nas Obras do Porto que começaram precisamente nessa zona no limite a leste = nascente = oriente da enseada da Maxaquene. Essa faixa estendeu o terreno original para o estuário ao longo da costa e praia mas como os trabalhos duraram menos de dois anos não foi feito muito e parte terá até desaparecido depois por falta de muros de protecção;
c. o terreno que foi marcado com a mancha rosa mais longe da costa foi aterrado entre 1915 e 1920 e estendendo o limite do aterro das Obras do Porto até ao muro de suporte ainda existente (linha preta contínua nas plantas e na FOTO 2.
Para se fazer melhor ideia, marco essas três faixas com limites indicativos nestas imagens da zona em três períodos diferentes:
Para estimar as faixas de terreno, duas delas de aterros, presumo que pelo menos até ao limite do lado do estuário onde estiveram os barracões grandes "perpendiculares" das OdP terá sido costa e praia natural/original - fim da faixa laranja claro.
A partir daí e para sul começa o aterro no estuário acrescentado pelas Obras do Porto - faixa verde - e que deve ter ido até ao início da ponte da marca vermelha.
O espaço deste o início da ponte até ao muro de suporte do aterro da Maxaquene foi feito entre 1915 e 1920 - faixa rosa.
No próximo artigo falaremos dos projectos previstos antes do início do aterro da Maxaquene em 1915, ou seja do das Obras do Porto e do do Eng. Costa Serrâo de 1909.
a. o terreno que foi marcado com a mancha laranja clara era o original na base da barreira;
b. o terreno que foi marcado com a mancha verde clara deve ter sido aterrado nas Obras do Porto que começaram precisamente nessa zona no limite a leste = nascente = oriente da enseada da Maxaquene. Essa faixa estendeu o terreno original para o estuário ao longo da costa e praia mas como os trabalhos duraram menos de dois anos não foi feito muito e parte terá até desaparecido depois por falta de muros de protecção;
c. o terreno que foi marcado com a mancha rosa mais longe da costa foi aterrado entre 1915 e 1920 e estendendo o limite do aterro das Obras do Porto até ao muro de suporte ainda existente (linha preta contínua nas plantas e na FOTO 2.
Para se fazer melhor ideia, marco essas três faixas com limites indicativos nestas imagens da zona em três períodos diferentes:
MONTAGEM 1
A partir daí e para sul começa o aterro no estuário acrescentado pelas Obras do Porto - faixa verde - e que deve ter ido até ao início da ponte da marca vermelha.
O espaço deste o início da ponte até ao muro de suporte do aterro da Maxaquene foi feito entre 1915 e 1920 - faixa rosa.
No próximo artigo falaremos dos projectos previstos antes do início do aterro da Maxaquene em 1915, ou seja do das Obras do Porto e do do Eng. Costa Serrâo de 1909.
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