Edifícios apoiados pela Gulbenkian: na cidade e região de LM, actual Maputo

Pode ver-se no flick fotos de projectos de construção, remodelação, conservação e apetrechamento de edifícios em Angola e Moçambique que a Fundação Calouste Gulbenkian financiou, presumo que nalguns casos na totalidade e noutros parcialmente, entre 1960 e 1997. Em geral as fotos estão identificadas embora para algumas não seja evidente só pela menção da localidade em qual dessas duas províncias ultramarinas portuguesas seria.
A impressão que fica é que a Fundação procurava diversificar o campo das suas ajudas financeiras. O que se vê são construções culturais e associativas para a elite "branca", instituições educativas para a populaçâo em geral e muitas escolas e centos de saúde, assistência social e culturais para a população africana nos subúrbios das cidades ou em zonas mais afastadas. O número e volume das obras aqui mostrado é impressionante mas como disse aqui a propósito do sector da saúde a questão é a do copo estar meio cheio ou meio vazio. A diversificação da Gulbenkian passaria também por apoiar não só os planos do Estado nesses campos mas também os de entidades privadas e religiosas de diversas matizes. As primeiras fotos aqui mostradas mostram peças dum sistema que mal ou bem funcionava e que o fervor revolucionário pós 25 de Abril destruiu e no seu lugar não sei muito bem o que ficou (ver fotos mais gerais sobre o Ultramar português no flickr da Gulbenkian).
Na capital de Moçambique em princípio o Estado encarregou-se das grandes construções mas veremos pelo menos uma excepção em que a Gulbenkian terá participado, a fazer fé nas fotos desse arquivo. Por isso deveria ser mais usual outras instituições pedirem apoio à Fundação para projectos mais específicos e a primeira foto mostra no centro da cidade actual Maputo o lar de estudantes da igreja presbiteriana:
Khovolar da Missão Suíça vendo-se por trás prédios altos
nas avenidas Augusto de Castilho, actual Lenine e 24 de Julho
O edifício de cima foi projectado por Pancho Guedes e ao tempo da foto em 1975 a sua última fase de construção devia estar concluída. Fotos mais ou menos recentes mostravam que apesar de pertencer a uma instituição religiosa, suponho eu, estava num estado lastimoso como se via aqui e recordo agora:
Khovolar "em pantanas" em fotos da wikimedia (Kubekla)
Das instalações seguintes também apoiadas pela Gulbenkian não temos fotos recentes para poder comparar mas certamente existirão ainda.
A primeira é uma instituição de assistência social na cidade satélite da Matola (Cidade Salazar) fotografada em 1974:  
Aldeia das Crianças que mostrava a placa era de 1972
Outra obra social num chamado bairro do caniço na cintura de Lourenço Marques, presumo que no antes chamado Bairro Indígena:
Obra da promoção social da Munhuana de 1964
Com a foto de cima, das profundezas da minha memória ressurgiu o nome do vidraceiro "Cristália". E com a de baixo ressurge o de Alvor, localidade com uma bonita igrejaa 64 Km a norte de Maputo na zona da Manhiça
Escola da habilitação professores de Alvor em 1966
Veremos no artigo seguinte outros edifícios em que a Fundação teve um parceiro específico, a Igreja Anglicana.

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