Instalações portuárias em LM até 1965 - manuseamento de minério entre 1961 e 65 (5/)

Neste série de artigos sobre o porto de Lourenço Marques (LM), actual Maputo e continuando com a informação do pequeno livro dos CFM de 1966, sobre as suas grandes instalações e equipamentos que na grande maioria já conhecemos dizia ainda:
"No tabuleiro existem ainda uma carvoeira eléctrica para o manuseamento mecânico do carvão, com uma velocidade de carregamento de 800 toneladas por hora. Esta carvoeira é servida por bancas existentes, com uma capacidade de armazenamento de 96 000 toneladas de carvão, e por uma gare de triagem especial que pode conter milhares de vagões.
O livro dizia também que "dentro da área dos cais existem actualmente cerca de 90 km de via férrea para os seus serviços" e é sobre esses temas que veremos aqui algumas fotos de Harrison Forman de 1961 do site da Universidade de Wisconsin Milwaukee (UW-M) e que fazem parte do arquivo da American Geographical Society Library.


FOTO 1
Vagões de minério, seria de crómio como Forman disse ou carvão
Esta foto foi tirada próximo da gare de passageiros da estação de caminhos de ferro e um pouco do lado esquerdo das fotos que vimos no artigo anterior (por exemplo na primeira de 1937). Mais para o fundo do recinto do porto e colocada junto à ponte-cais Gorjão vê-se na FOTO 1 primeiro a carvoeira Provay, a qual estaria a ser desmontada segundo a tabela do livro que reproduzimos ao fundo do artigo 1. Mais distante vê-se a carvoeira Mac Miller que estaria ainda activa e que tinha a velocidade de 800 ton/hora de carga de minério.

Como disse o Eng. Pinto Teixeira em 1936, desde 1931 que a carvoeira Provay estava parada devido à diminuição das exportação de carvão e teria então ou iria ser brevemente adaptada para manusear minério de crómio, cuja exploração e exportação pelos países vizinhos estaria a crescer. Não sei que adaptação terá sido essa para a Provay mas para a Mac Miller, olhando para o seu modo de funcionamento, não vejo que tal tivesse sido necessário parecendo-me que ela poderia funcionar com qualquer minério esmagado para tamanhos médios ou pequenos como o que se vê na FOTO 1.
Agora a planta dos CFM em 1965 e dessa zona do porto:


PLANTA de 1965 (clique para aumentar)
Amarelo: linhas sem continuação que podiam servir para parque de vagões
como dos que se vê em cima
Verde: estação principal, edifícios e plataformas

Vermelho: linhas principais, dividindo-se para a estação em chegadas e partidas
Círculo verde escuro: carvoeira Mac Miller, a que funcionou até mais tarde
Laranja: carvoeira Provay, a última a ser instalada e primeira a ser desmantelada
Podiamos ver foto da situação dessa zona em 1937 em foto de Mary Light Meader. Nesse ano alguns dos edifícios que aparecem na PLANTA de 1965 não estavam ainda construídos mas a infraestrutura principal, a ponte-cais e as linhas férreas, estavam:

FOTO 2
Verde: estação principal, edifícios e plataformas
Vermelho: linhas de combóio principais para a gare de passageiros
Amarelo: linhas fora do trajecto principal servindo para parque de vagões, 
como se vê pelas manchas negras nas mais próximas
Círculo verde escuro: carvoeira Mac Miller, a que funcionou até mais tarde
Laranja: carvoeira Provay, em 1937 estava em pleno funcionamento ainda
Vermelho e amarelo: frigorífico das frutas, na primeira fase com dois volumes

Voltando às fotos de 1961 e continuando com o texto do livro de 1965 relativo a minérios: "O porto manuseia grandes quantidades e várias espécies de minérios, para o que existem espaços (bancas) que permitem armazenar quantidades apreciáveis deste tipo de mercadoria, que se conta nesta ocasião por cerca de 1 400 000 toneladas, de minério a granel e 30 000 toneladas de cobre. 

FOTO 3
Maquina e pessoal movimentando minério a granel em bancas 
localizadas a norte dos armazéns do cais que estavam na primeira fila
Harrison Forman dizia que o mineral de cima era crómio mas mostrou também minério de cobre chegando ao porto como se vê a seguir:


FOTO 4
Vagão com minério de cobre chegado da Rodésia (actual Zimbabwe) junto ao cais
As FOTOS 1, 3 e 4 mostram a situação em 1961 a qual me parece corresponder ao texto do livro dos CFM publicado em 1965. Mas lembro que ainda nos anos 60 foi criado um cais de minério na Matola para onde o tráfego que aqui se viu terá sido desviado e as tarefas terão sido mais mecanizadas / automatizadas. Lembro que esse foi o segundo grande passo do porto no que respeita a minérios, tendo o primeiro sido o da passagem do carregamento inicial feito a braços humanos para os navios para o desempenho mecanizado / automatizado das carvoeiras nos anos 10 e 20.

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