Lanchas canhoneiras em LM, Lacerda parada no rio Incomáti c. de 1895 (10/11)

Dissemos no artigo anterior que por finalmente se ter concluido que a lancha Lacerda não conseguiria navegar efectivamente no rio Incomáti que ficou lá atracada a maior parte da campanha militar portuguesa de 1895. 
A legenda da primeira foto refere o posto militar de Chinavane / Xinavane que desta perspectiva não se via directamente mas devia estar do lado direito do rio, que seria o Incomáti, o que se confirmará nas FOTOS 2 e 3.
Agora vamos mostrar fotos dessa situação que foram publicadas em 1906 e 1907 na revista Serões n. 15 e 24 em 1906 nos artigos escritos por Eduardo de Noronha, que diz terem sido feitas por Freire de Andrade cuja presença no local explicaremos ao fundo deste artigo. No entanto a FOTO 4 está assinada por P. M. (Marinho).

FOTO 1, completa e pormenor (Serões n. 15)
Um aspecto do posto militar de Chinavane, em 1895

Vê-se a ré com a bandeira, a cabine no deck superior e a chaminé que fiva do lado da proa mais para o fundo. Do lado direito onde estava o posto seria aí o sul (SE) do rio pois esse sido tornado seguro na fase anterior da campanha que vinha progredindo a partir de Lourenço Marques, por exemplo com o combate de Marracuene e batidas posteriores (ver PS 1) e o rio correria para o fundo (ver PS 2). 
Depois da barca em primeiro plano, a embarcação mais distante e que se vê mais em pormenor em baixo tem roda de pás à ré e pode-se assumir que seria uma das quatro lanchas canhoneiras com essa configuração compradas por Portugal para a campanha militar em Moçambique de 1895. Pelo facto de se ver uma única chaminé nessa lancha (de facto devia ter outra mas mais estreita) devia ser uma das duas da classe Lacerda e Serpa Pinto que vimos aqui pois como também se vê aqui as outras duas lanchas da classe Capelo e Ivens tinham duas chaminés largas. Um elemento importante que permitiria distinguir essas duas classes eram os suportes dos toldos mas não estavam bem visíveis na FOTO 1. De qualquer modo como os autores da época dizem que a Lacerda esteve retida nesse local durante um longo período, vamos admitir ser ela que ela está na foto. Tendo sido feita com a Lacerda a primeira tentativa de colocar uma das novas lanchas no Incomáti e não tendo tido sucesso, certamente que outro destino teria sido dado à Serpa Pinto que lhe era similar e que também tinha estado destinada, numa segunda fase do planeamento, ao rio Incomáti.
No artigo anterior viu-se o relato de António Enes baseado no do comandante da lancha Lacerda, o tenente Assis Camilo, sobre as grandes dificuldades em fazê-la subir o rio da foz até Xinavane e como se concluiu que ela não tinha condições para daí navegar de forma efectiva e segura, nem para montante até Magude como tinha sido o objectivo inicial nem para regressar à foz e a LM para se lhe tentar encontrar outra colocação. Havia o problema da profundidade do rio em geral não ser suficiente para o calado da lancha, dos canais melhores serem junto às margens e dado a lancha ser muito comprida quando o rio fazia curvas apertadas não se conseguia evitar tocar nas margens e no seu arvoredo, também dado o comprimento a lancha não conseguia mudar dum canal para outro quando tal parecesse propício, a sua propulsão com roda de pás à popa não ajudava à manobrabilidade da lancha, enfim foi um cabo das tormentas. Assim a melhor solução para manter a lancha sem muita destruição e aguardar pela possibilidade de a reduzir ao essencial de equipamento para fazê-la descer o rio e dar-lhe outro destino foi pará-la junto ao posto militar até à "pacíficação" da zona.
A foto seguinte mostra o mesmo posto militar e "subreptíciamente" ao fundo dela aparecem a bandeira, a cabine do deck superior e a chaminé da lancha nas posições correspondentes às da FOTO 1:

FOTO 2 
Em exercício no posto militar de Xinavane

Vendo-se na FOTO 2 a cabine no deck superior da lancha mais ou menos ao nível do terreno do posto militar pode-se estimar que a margem direita do rio era elevada digamos de uns 3 a 4 metros em relação à água. Vê-se também que estas construções do posto militar ficavam aproximadamente na perpendicular à margem e a foto seguinte que foi tirada a maior distância da lancha do que a FOTO 1 e em que se vê muito mais da margem do rio comprova isso:

FOTO 3 (serões n. 15)
Outro aspecto do posto militar de Chinavane

Na FOTO 3 as construções no posto pareciam estar na mesma que na FOTO 2 mas na FOTO 3 aparece um segundo posto de observação (da margem oposta que seria inimiga) que aí nâo se via. Aparece também uma ponte de madeira que não se via na FOTO 1 mas se estaria para trás do fotógrafo ou se não estava ainda instalada não sei. Esta ponte foi construída para que as tropas portuguesas atravessarem o rio Incomati para norte (esquerda nas FOTOS 1 e 3) e seguirem em direcção ao Limpopo e ao coração do reino de Gungunhana / Gungunyane. Daqui presumo que FOTO 3 seja posterior às outras duas mas o mais importante é reparar que em todas elas estava uma lancha acostada junto ao posto reforçando a ideia de que ela não se movia dessa posição, em linha com o que é dito nos livros em relação à Lacerda.
Uma foto complementar do mesmo local mas já sem relação directa com a lancha:

FOTO 4
Guarnição do posto militar de Xinavane

Note-se que para este posto uma guarnição como a que aí se vê, com elevado número de pessoal, seria temporária. Uma vez certificado que na zona do Incomáti não havia resistência militar após a Batalha de Magul e avaliado e definido que o objectivo final da campanha seria afrontar e a capturar Gungunhana, as tropas portuguesas puderam deixar nestes postos só uma guarda e o resto da força passou o rio para norte, dado que o número de soldados portugueses disponível para afrontar os ditos 40 000 a 60 000 guerreiros de Gungunhana era muito reduzido.
O na altura Capitão de Engenharia Freire de Andrade (FA) que conhecemos da demarcação de fronteiras e a exploração que fez do território do Pafuri a Inhambane em 1890 (série de artigos aqui) foi um dos comandantes das tropas portuguesas em 1895 e o estratega principal da instalação destes postos no Incomáti e da sua execução e falaremos disso com mais pormenor noutra altura. Sobre a razão da nomeação de FA para essa tarefa e as costumeiras tricas de caserna e de salão explicou António Enes (AE), o comissário-régio em Moçambique em 1895, no livro A Guerra de África de 1898: "Quando o novo governador effectivo do districto de Lourenço Marques tomou posse do seu cargo, o sr. capitão Freire d'Andrade (ver PS 3) voltou à anterior situação de chefe da repartição de gabinete do commissariado régio; entendi, porém, que devia conservá-lo na direcção dos preparativos para a continuação das operações no Incomati, que tinha iniciado como governador interino, e para a qual lhe davam especial competência a sua profissão de engenheiro e o seu conhecimento do terreno em que se havia de operar". A seguir, em nota de fim de página AE explica e justifica-se "Não houve, pois, favor na nomeação do capitão Freire d'Andrade", suponho eu que respondendo a alguns rumores negativos sobre esse processo.  
É ainda importante acrescentar que o tenente / comandante Ivens Ferraz na sua memória de 1902 falando sobre lanchas de roda de pás à popa (stern wheeler) como era o caso da Lacerda e as possibilidades de sua navegação nos rios em torno da baía e estuário junto a LM escreveu o seguinte: "Como para ir a qualquer daquelles rios é preciso atravessar a bahia quasi sempre agitada por mar mais ou menos cavado, deve pôr-se de parte o emprego de Stern-Wheelers, os quaes, mesmo com vento moderado, têm de lhe metter a proa para não perderem de todo o governo, correndo grave risco, como aconteceu á «Lacerda"". Quer dizer juntando-se ao problema da Lacerda não conseguir navegar capazmente no Incomáti ela tinha ainda sério problema em atravessar a baia entre a foz do rio e o porto de LM e vice versa. Isto significa que quem tinha planeado entre 1894/95 utilizar a Lacerda regularmente na navegação entre LM, Xinavane e Magude com intuitos de acrescentar mobilidade, efeito de surpresa e grande poder de fogo à tropas em terra e de lhe providenciar um bom meio de transporte falhou redondamente. Mas no fim de contas a zona do Incomáti e suas margens, depois do combate de Marracuene no início de 1895 e que foi anterior à chegada das lanchas, não teve combates relevantes e por isso a falha na utilização da Lacerda nesse teatro acabou por não afectar o aí esforço de guerra português, mas óbviamente ela podia ter sido útil no Limpopo onde operaram em missões de combate a lancha Capelo e o vapor Neves Ferreira, os quais só em Dezembro (de 1895) foram reforçados pela lancha Serpa Pinto. 
Penso que no artigo seguinte se vê a lancha Lacerda (ou a Serpa Pinto) a ser utilizada  noutro rio da região sul de Moçambique e depois da campanha militar o que significa que foi possível retirá-la do Incomáti.

PS 1: note-se na FOTO 1 que o cano da peça no convés superior (à esquerda da bandeira) parece estar virado para o lado do rio e da margem esquerda onde estariam as forças rebeldes.
PS 2: A FOTO 1 pode ter sido tirada muito genéricamente por aqui dado que suponho que esse seria o braço maior do rio na zona de Xinavane. No entanto a vila fica junto a um braço menor do rio mais a sul (daí suponho a menção à Ilha Mariana desde a Manhiça entre esses braços). Mas como a paisagem original pode ter sido modificada com os projectos de irrigação para a cultura da cana na primeira metade do século XX pode ser difícil localizar exactamente a foto nessa zona só a partir do recorte da margem. Sobre a vila de Xinavane, histórica e actual, mais os seus regadios para produção de cana do açucar ver este artigo.
PS 3:  FA tinha sido o governador interino de LM que inicialmente era um distrito muito maior do que veio a ser (é agora a província de Maputo mas incluia a cidade agora separada) dado que o distrito de Gaza só foi formado a partir de partes dos primitivos distritos LM e de Inhambane e penso eu que já no decorrer da campanha militar de 1895.
PS 4: O especializadíssimo tenente / comandante Ivens Ferraz na sua memória de 1902 a respeito das características e utilização da lancha Lacerda no Incomáti diz o seguinte:
em torno da pág 12: "A lancha canhoneira «Lacerda», de rodas na popa, demandando apenas 0,5 m a 0,7 m ..."
em torno da pág 23: "A lancha-canhoneira «Lacerda» de fundo chato e rodas na popa, foi destinada a navegar para cima de Chinavane, estabelecendo communicações com Magude, mas não chegou a prestar serviços, porque nem para ella, calando apenas 0,50 m, havia água no rio. A descida desta lancha (da zona de Magude a montante até Xinavane a jusante) , pelo seu muito comprimento e mau governo, foi muita arriscada, vindo somente á sirga e a vara." 
Ivens Ferraz confirma então o que aconteceu à Lacerda em 1895 mas ele diz que ela tinha 0.5 m de calado (e daí necessitava de entre 0.5 e 0.7 m de água para navegar, embora me pareça que só 0,5 m de água não chegaria) e não 0.3 m como está no QUADRO de "os rikinhus". De facto não sabemos quais desses números estão certos mas se 0.2 m de diferença podem parecer uma pequena diferença, podiaser por eles que a lancha poderia navegar ou não.
No fim de contas a questão que se pode colocar e continuando o que se disse no artigo anterior é se teria sido possivel encomendar uma lancha que fosse útil para o objectivo pretendido de navegar no Incomáti, entrando pela foz, passando por Marracuene, Manhiça, Xinavane. Antioka e para chegar a Magude e então o erro terá sido na sua especificação, ou se o rio era tão baixo que não era possível desenhar lanchas para lá navegar e então o erro foi estratégico. Não sei a resposta a esta pergunta, como vimos antes António Enes que foi o responsável maximo "tentou passar pelos pingos da chuva", mas o certo é que o resultado foi mau.
Escreveu ainda Ivens Ferraz sobre o Incomáti: "O rio para montante de Chinavane, comquanto tenha logares com muita altura d'agua, é só navegável para pequenas embarcações de fundo chato, que umas vezes á vara, outras a remos, ora lavrando na areia, ora levadas pela corrente, podem desce-lo desde perto da fronteira" (de Ressano Garcia com a África do Sul). Recordo que no artigo anterior se pode ver uma imagem muito reveladora do rio por essa zona em época de seca e onde realmente parecia difícil um navio médio navegar por aí.
E diz ainda Ivens Ferraz na memória de 1903 que para ultrapassar as dificuldades de navegação em parte do Incomati se tinha combinado o transporte ferrovário com o fluvial (primeiro na parte mais a montante com uma baleeira levada pela corrente e depois, onde havia mais profundidade com um vapor rebocando a baleeira) constituindo-se um anel com esses dois meios de transporte. Esse anel tinha origem / fim em LM a SE que era a fonte dos abastecimentos e passava por dois postos militares nas margens do rio Incomati que se pretendia abastecer a NW. O anel era percorrido no sentido dos ponteiro do relógio mas pelo que Ivens Ferraz diz presumo que esse engenhoso mas complicado processo tenha sido abandonado e presumo que se tenha optado por manter a parte do transporte da carga por caminho de ferro até à estação de Incomáti completando o resto do percurso com carregadores e/ou carretas de bois.
"No Incomati, para montante da Ilha Marianna (ie da Manhiça para o lado de Xinavane), há mais dificuldades de estabelecer communicações fluviaes, em consequência da pequena altura d'agua nos pontos d'aquelle grande ramo do rio onde elle tem maior largura. Essas passagens difficeis talvez podessem profundar-se encaminhando as aguas por meio de açudes para um canal mais estreito junto á margem, mas, quando assim se fizesse, haveria sempre a dificuldade da subida contra a corrente e só poderia utilisar-se o rio navegando a favor della. Seguindo esta ordem de idéas, construiu-se na Catembe, em 1895, uma baleeira de fundo chato, que indo num wagon duplo do caminho de ferro de Lourenço Marques até perto da estação do Incomati (aqui ao centro, a sul do rio), ahi era lançada à água, e depois de convenientemente carregada, seguia rio abaixo abastecendo os postos militares do Sabié e de Magude (o rio Incomati depois se seguir para SE depois de Ressano Garcia e Incomáti até à Moamba junto a esta localidade vira a norte. Esta embarcação (a baleeira de fundo chato), continuando depois para jusante, ia até à Manhiça, onde um vapor lhe pegava a reboque, entregando-a em Lourenço Marques prompta a recomeçar a sua viagem circulatória. Este processo é pouco prático, e por isso nos parece que as circumscripções de Sabie e de Magude pouco poderão utilisar o Incomati nas suas communicações com a cidade."

PS 5: Sobre o rio Incomati em Moçambique e explicado em a sua navegabilidade e os braços na zona de Xinavane escreveu brilhantemente António Enes por volta da página 69 da sua obra Guerra d'Africa: 
"O rio Incomati, que tão importante papel veio a ter na campanha, farta-se de dar voltas e reviravoltas no território do Transvaal antes de entrar no districto de Lourenço Marques, e quando lá chega, passando pela mesma portella os Libombos por onde a linha-ferrea transpõe a fronteira, ainda é um delgado lençol amarello, quasi sempre roto e amarrotado pelas fragoas do leito, pois só no tempo das chuvas e das cheias se remenda, aliza e desdobra, cobrindo então os terrenos baixos marginaes. Depois de descrever curvas extravagantes, recebe os fios d'agua do Sabi, que o tornam mais espesso e mais largo, e quando separa a Cossine do Intimane já os indígenas e os negociantes asiáticos o aproveitam, boa parte do anno, para á vara ou a remos fazer fluctuar almadias ou chatas; mas ainda nesse trecho o seu fundo é todo accidentado por agglomerações de areias, que apenas deixam entre si estreitos canaletes, tão caprichosamente torcidos que não ha pratico que lhes conheça o traçado, antes é necessário a cada instante adivinhal-os pela cor da agua e pela conformação das margens, ou procural-os com o prumo. Quando chega defronte de Chinavane e da foz do Incoluane, o Incomati dobra-se todo para leste, mas esbarra ahi com uma grande ilha que elle próprio formou com os seus açoriamentos, a ilha Marianna, e divide-se em dois braços, mais dilatado o do norte mas superficial, pois aue espalha as aguas para cima dos terrenos, verdadeiros lameiros, que o orlam, o do sul delgado e relativamente profundo, mas ambos tão tortuosos que mal se tem transposto uma curva já se avista outra desenhada em sentido opposto, e a cada momento parece que alguma margem se atravessou adeante da corrente oppondo-lhe um dique de terra e vegetação. Só este ultimo braço é tido por navegável, a não ser para almadias, mas a navegação que offerece não pôde ser mais precária e fadigosa. Haverá vinte a trinta metros de largura d'agua; só ha, porém, para dar passagem a quilhas de embarcações, um apertado canal que corre encostado a uma margem, por baixo de arvoredo copado e roçando-se por duros raizames salientes, e são tão apertadas, tão subitaneas, tão arbitrarias, as voltas do rio, que um barco que traga seguimento e não seja muito curto não poderá manobrar com rapidez bastante para as acompanhar, e irá a miude afocinhar na terra, que, felizmente, em toda a parte é branda e deixa-se entalhar sem resistência pelas arestas das proas. 
Onde acaba a ilha Marianna, na altura da Manhissa, tornam a juntar-se as aguas, alargando o leito do rio até mais de duzentos metros; todavia, também ahi se esbarra em baixios, que em certos logares atravessam de margem a margem, tendo apenas ligeiras depressões que é preciso procurar ás apalpadelas. Ahi, a riba meridional (margem direita) começa a ser elevada, e em certo ponto da Manhissa empina-se bruscamente, toda vestida darvoredo. Lá de cima, a vista descobre, do outro lado do rio, uma planície mais extensa do que o raio visual, toda cheia daguas estagnadas, cujas poças e regueiros mancham e sulcam de scintillações esbranquiçadas a verdura dos juncaes. Deprime-se depois essa margem, mas continuam a guarnecel-a, mais perto ou mais longe, lombadas e ondulações do terreno, ao passo que a margem fronteira é quasi sempre baixa e alagadiça; o rio vae-se curvando e recurvando, de quando em quando abraça alguma ilhota, e abaixo do Incanine bifurca-se uma vez mais para contornar a ilha dos Limões...
Por ali abaixo, os limoeiros selvagens enfeitam sempre os muros de arvoredo, entrançado com trepadeiras, que bordam a estrada fluvial. Descobrem-se grupos de palhotas, tendo próximos bosquesinhos de bananeiras. Nos frequentes mucurros estão varadas canoas. Quando chega ao Marraquene, o Incomati descreve um arco de circulo, tão regular como se fosse traçado a compasso, e a margem concava, a do sul, sobe em áspera ribanceira, talhada em terreno arenoso mas fecundo, e domina a outra, deprimida, e orlada de mangue, atapetada de juncos e canniços que se deleitam na humidade. Ali ha fundo até para navios de alto bordo, e continua a havel-o até quasi á ponta do nascente da ilha de Benguelene; mas esta ilha projecta de si, para todos os lados, extensas restingas, que obrigam a navegação a encostar-se ás terras do norte, onde se desembarca para demandar a povoação de Macaneta, que na guerra se tornou afamada por ser residência e baluarte do malvado que mais sangue de europeus fez derramar, apesar de ser desinteressado da revolta, o Finish."


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